ENQUADRAMENTO E FUNDAMENTAÇÃO DO PROJECTO

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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Histórias de mão em mão

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Em parceria com alguns escritores e ilustradores, estão a crescer histórias no Agrupamento. Este ano e no domínio temático da obra “Princesas, príncipes, fadas e piratas com problemas”, foi proposta a criação de um conto, que passasse de turma em turma do mesmo ano de escolaridade e que contasse com a participação de escritores e ilustradores.

O desafio lançado foi bem acolhido e a amabilidade e disponibilidade revelada pelos autores têm sido inexcedíveis.

A obra ainda não está completa. No entanto, gostaríamos de deixar desde já o nosso agradecimento a Antónia Carvalho, João Pedro Mésseder, Ana Luísa Amaral e Beatriz Hierro Lopes, Miguel Carvalho, nos textos, e a André Constante, Ana Mendanha e Tiago Araújo, na ilustração.




sábado, 2 de janeiro de 2010

Dinâmica do projecto para 2009-2010

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«Ler é preciso!» contará com dois momentos:

1º - Uma obra do pré-escolar ao secundário.
2º - Diversas obras escolhidas por anos de escolaridade.



A obra escolhida como agregadora de vontades é Princesas, Príncipes, Fadas e Piratas com Problemas, um álbum com contos de Ana Cristina Leonardo, Ana Luísa Amaral, João Pedro Mésseder, Rita Saldanha, Rui Zink e Gonçalo M. Tavares.





Nos contos tradicionais, a certeza de um final feliz é um porto seguro para o leitor. O herói ou heroína, no final, após um ror de peripécias, será largamente recompensado e, muito provavelmente, viverá feliz para sempre. No entanto, a vida não é como nos contos de fada, assim, os momentos de felicidade, são intercalados, com outros menos felizes que há que saber contornar. São as imperfeições dos heróis que os fazem mais parecidos connosco.


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Crispim, o Pirata que tinha medo da água, Ana Cristina Leonardo
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Crispim é um pirata “hidrófobo”, de perna de pau, olho de vidro e cara de mau. Um pirata que queria ser apanhador de ostras e renegar a tradição familiar: “Crispim nascera numa família de piratas: pai pirata, mãe pirata, avós e avôs piratas, tios, tias, primos e primas, todas e todos piratas... Enfim, até onde ele conseguia descer na árvore genealógica, nunca ninguém na família fizera nenhuma outra coisa que não fosse piratear. A única excepção era o seu primo Catita, conhecido por Olho de Peixe-Agulha, que um dia, perdido de amores por uma camponesa, trocou os perigos do alto mar pela vida de agricultor. A família falava dele com um enorme desprezo e passara a chamá-lo Catita, Olho de Couve-Lombarda.”

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Uma história de Espelhos
, Ana Luísa Amaral
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Papoila, a gata, vive enfadada e sente-se injustiçada, por ninguém reconhecer o seu verdadeiro valor. Um dia, no espelho, onde ela se costuma mirar e remirar, surgem-lhe três figuras: uma princesa, uma fada e um pirata. Cada um à sua vez, interpelam a gata Papoila e contam-lhe os seus problemas.

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A Fada e as três pontes
de Ljubljana, Gonçalo M. Tavares
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“Se fores pela ponte da esquerda morres, se fores pela ponte da direita morres, se fores pela ponte central a história começa. Que ponte escolhes?” – a partir desta pergunta da fada, viajamos até à cidade da Medicina Misteriosa, onde encontramos psicanalistas da beleza e médicos que fazem operações cirúrgicas à moral.

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Da má sorte das princesas nascem nomes de lugares, João Pedro Mésseder
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“Agora quero contar
A história daquela moura
Que subindo o rio Douro
Foi ao encontro do azar”
Entre a prosa e o verso, a explicação lendária para estranhos nomes de lugares bem próximos: Rio Tinto, Montezelo, Pedorido, Moura Morta.

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Os segredos do arco-íris
, Rita Saldanha
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A história do príncipe Igor, filho do rei Mali e da rainha Luana, que via o mundo de uma maneira diferente. Igor demonstrava um sentido raro de visão, olfacto e audição, mas não via o mundo da mesma maneira que os outros. O príncipe Igor sofre de incolorismo e por isso vê tudo cinzento…

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O pirata da Barca do Esquecimento, Rui Zink
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Eu sou o pirata
Da cara de mau
Que rouba memórias
Não gosta de histórias

O avô começa a esquecer-se dos nomes, das coisas, das pessoas. Num sonho, o neto faz uma viagem ao Hades, mas o barqueiro é um estranho (e divertido) Pirata que nos ensina que qualquer um pode “ouvir” pensamentos, basta escutar o silêncio.


Neste primeiro momento, pretende-se que a obra seja abordada de acordo com as diversas faixas etárias, com as características e interesses dos alunos. Este é um trabalho da responsabilidade cada titular de cada docente ou grupo de docentes. Por outro lado e segundo a temática “princesas, príncipes, fadas e piratas” pretende-se o desenvolvimento de actividades que envolvam todos os alunos e permitam o trabalho mais alargado e articulado e em parceria de docentes, escritores e ilustradores.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Ainda do Dia Mundial do Livro

Cartaz a anunciar as actividades/concursos

Os textos à disposição dos professores, nas salas, no Dia Mundial do Livro



terça-feira, 5 de maio de 2009

Mensagem de José Jorge Letria

O escritor José Jorge Letria manifestou-nos o seu muito apreço e sincero agradecimento pelo honroso convite que lhe dirigimos para visitar o Agrupamento e informou-nos que, devido a compromissos assumidos, no âmbito das suas funções, na Sociedade Portuguesa de Autores, não será possível realizar a visita neste ano lectivo, propondo a hipótese de a transferir para o início do próximo ano, assegurando que tudo fará para que isso seja possível.
Generosamente, enviou-nos um texto inédito onde homenageia todos quantos sabem ser, a escola, um espaço privilegiado de aprendizagem da leitura e da paixão pelo livro.

Consciente de que o poema não substitui a sua presença, o autor homenageia, assim, os Professores e Alunos do nosso Agrupamento.

O QUE EU PROMETI À MINHA ESCOLA

Eu ia para a escola, caixa grande de lápis e paus de giz,
na vizinhança da casa da minha avó,
na pacatez quase aldeã do Largo das Terras,
seguindo o chilreio dos pássaros,
o carreiro do afã das formigas
e o rasto esvoaçante das joaninhas,
e gostava do cheiro dos cadernos
e da elegância altiva das letras e dos números.
A minha mãe esperava-me à saída,
temendo que eu me perdesse no caminho
e que comesse figos que faziam rebentar os lábios
e tiravam o apetite para o lanche.
Nesse tempo, eu aprendia as pequenas coisas,
ínfimas coisas de que o mundo é feito,
como se coleccionasse selos ou cromos.
O meu pai ainda estava vivo e a minha avó
tratava com pachos de azeite quente
as dores agudas da minha colite precoce.
Era coisa dos nervos, havia quem dissesse.
Eu caçava borboletas e apanhava folhas de amoreira
para fazer crescer os serpenteantes bichos da seda.
Nesse tempo, no tempo azul da escola
que era vizinha da casa da minha avó,
eu não tinha medo da noite nem da morte
e a felicidade era uma fresca rosa branca
no canteiro dos meus sonhos de menino.
Onde estão agora os meninos de bibe branco
que brincavam comigo à apanhada
na hora sempre breve do recreio ?
Alguns partiram já de vez, eu sei,
para o país de sombras onde não há infância.
Outros envelheceram como eu, devagar,
engordaram, desencantaram-se, tornaram-se avós.
Outros ainda, como eu, nunca se curaram
da mágica alegria dessa idade. Que mal tem ?
Um dia fui-me embora daquela escola,
não da minha terra, mas prometi
que havia de voltar mais tarde, num dia qualquer,
nem que fosse sob a forma de livro colorido,
para poder adormecer tranquilo
na prateleira alta das mais ternas lembranças.

José Jorge Letria
Dezembro de 2003